E as Mulheres sem Útero?

E as Mulheres sem Útero?

Bem, enxergar o útero como somente uma fábrica de bebês remete a ideia não tão longínqua das mulheres e todo seu aparelho reprodutor sexual criados unicamente para esta finalidade. Também devido a esta visão, mulheres pós menopausa que chegaram ao fim de sua vida reprodutiva perdem a função nas sociedades patriarcais.

Mutilar um ventre não é como cortar o cabelo. Histerectomia não é como retirar uma verruga. Útero não é um forno industrial. Histerectomia é uma cirurgia grande, que envolve riscos, que sangra abessa.

O útero é o centro energético da mulher.

Grande equilíbrio do segundo chakra. Centro de prazer e de poder. Segundo sabedorias ancestrais, medicinas milenares como a chinesa e a ayurvédica, é onde ficam armazenadas todas as memórias e emoções da mulher.

Sim, existem muitos casos em que essa cirurgia é inevitável. Mas, questiono em muitas situações se realmente ocorreu tentativa efetiva da equipe médica em evitá-la. Na imensa maioria dos casos os caros colegas usam a única terapia que existe no planeta deles: a hormonal. Não melhorou com hormônios, não tem jeito, bora sacar.

E execram o útero de uma mulher, privando-a para sempre da sacralidade de menstruar como quem a presenteia com o alívio de um fardo, quando na verdade está retirando uma das partes mais belas de seu feminino.

Com esse texto desejo convidar as mulheres que estão diante dessa possibilidade a repensarem, buscarem outras opiniões e outras possibilidades. Não joguem fora seus lindos úteros tão facilmente, mesmo que nesse momento eles estejam te causando sofrimento. Devemos cuidar de alguém doente, e não terminar de matá-lo.

Mas, quero falar também muito especialmente para as mulheres que nasceram sem ou que já passaram pela retirada cirúrgica de seu útero, seja pelo que for:

Ninguém se torna menos mulher por isso!

Eu falo muito sobre a importância de menstruar aqui, pois no mundo tomado pelo transe das pílulas anticoncepcionais é urgente relembrar isso. Mas sim, ser mulher é sim mais que menstruar e ter útero. Ser mulher vai muito, muito além, se inicia desde que nascemos e vai até o dia em que morremos e boa parte dessa trajetória passamos sem menstruar.

A ginecologia natural acredita que o centro energético se mantém na mesma região onde o útero se localizava e tudo relacionado a ele não se modifica. A beleza, a força do feminino, as histórias de dor e de amor. O ventre de mulher, ligado às deusas, à mãe terra e à lua. Isso não há como ser retirado!.

Uma mulher sem útero, assim como as menopausadas, continua sendo cíclica.

Não é o útero que é cíclico e sim a mulher, em sua essência profunda.

A mulher pode acompanhar seu ciclo juntamente com o ciclo da lua e inclusive preencher uma mandala lunar.

Às saúdo, saúdo suas trajetórias e afirmo que a ginecologia natural e o sagrado feminino continuam tendo muito a ensinar e aprender com todas as mulheres.

Gratidão!

Bel Saide


Ilustração pela artista Christina Fiuza. Muito obrigada por compartilhar essa linda arte!

 

 

Comentários