A Ginecologia Natural e a Demanda por “Tratamentos”

A Ginecologia Natural e a Demanda por “Tratamentos”

Muitas pessoas tem uma certa dificuldade e até resistência em compreender realmente o que é a Ginecologia Natural.  

Eu bato muito nessa tecla e tô aqui batendo de novo: Ginecologia Natural NÃO É tratar doenças com plantinhas!!!  

Ginecologia Natural não é uma especialidade médica regulamentada, não é uma sub-especialidade reconhecida da ginecologia.  

Em busca de uma nova visão

Ela é acima de tudo e antes de qualquer outra coisa UMA NOVA VISÃO. Um movimento que parte também das próprias mulheres que desejam romper com um modelo de saúde imposto e que não as satisfaz mais. Tomou força com o crescimento do feminismo na atualidade em que as mulheres se reconhecem como protagonistas em seus próprios destinos e se empoderam de si, passam a se orgulhar e amar sua condição de mulher, em consequência disso enxergam o cuidado com seus corpos – seu maior instrumento de ação do mundo – como fundamental fonte de força e poder. Surge também a partir de um outro movimento que é o desejo cada vez maior das pessoas em geral de buscarem uma vida mais saudável e da consciência de que essa vida saudável é a vida mais natural, mais sustentável, para si, para o coletivo, para o planeta.  

Nesse processo muitos grupos passaram a buscar o resgate e a valorização de sabedorias ancestrais que estavam deixadas de lado em detrimento de consumo de produtos e hábitos que estão se mostrando não benéficos a longo prazo. As pessoas buscam mais vida, e vida de qualidade.  

Recebo diariamente mensagens e emails de mulheres relatando suas questões ginecológicas e me pedindo que indique tratamentos naturais.  

Outras tantas mulheres vão ao consultório contando sobre a dificuldade em encontrar cura para seus males na medicina convencional e buscando a salvação na “medicina alternativa”. Muitas, mas muitas mesmo se dizem extremamente insatisfeitas com a forma como as consultas e as abordagens médicas são realizadas de uma forma geral.  

O que grande parte delas não percebem é que elas mesmas se mantem presas a essa forma e que se não se propuserem antes de tudo a se libertarem disso em suas mentes nada irá mudar. 

Eu falo sobre olhar pra si, ouvir o corpo, trabalhar os padrões emocionais, mudar a alimentação e os hábitos de vida, mas as pessoas parecem ainda querer apenas prescrições.  

Muitas ficam decepcionadas quando não recebem um toque vaginal, não saem da consulta com mil pedidos de exames, e aqui na página reclamam que não passo os tratamentos.  

Mas e a prescrição de tratamentos?

Mana, desculpa se te frustra o que digo, mas simplesmente trocar o Fluconazol pelo banho de assento com Barbatimão, ou a pílula de progesterona pelo chá de Artemísia possivelmente não adiantará muita coisa e não resolverá verdadeiramente o seu problema.  

As pessoas reclamam tanto do modelo de cuidado com a saúde vigente, mas permanecem no mesmo modelo internamente, apenas desejando trocar a alopatia pelas ervas, o que não deixa de ser uma medicalização e um pensamento alopático.  

Se não mudar o mind set nada muda. 

Quando você decide seguir pelos caminhos da naturologia você está necessariamente saindo da curva. Lançamos mão de ervas, óleos e outros tratamentos sim, mas acredite, no fim das contas eles são secundários. É possível até se curar sem tomar nada, se você verdadeiramente SE modifica. E se você se recusa a modificar as coisas mantendo-se engessada no que é hoje, tomar seja lá o que for não fará diferença.  

A visão da Ginecologia Natural é a visão holística, palavra que vem do grego “holos”, que significa todo, inteiro. Se ela procurar na totalidade do ser a origem dos desequilíbrios que geram as doenças, levando completamente em consideração a unidade indissolúvel de seu corpo, mente e emoções, é claro que o processo de cura que vem oferecer também abrange necessariamente isso tudo.  

Não dá pra focar em um lado só, nós não vamos focar em um lado só, não é esse o caminho, não é nisso que acreditamos.  

Cada mulher é única

Partindo dessa importância da avaliação global também chegamos no que é um dos pilares da Ginecologia Natural que é o fato de que cada indivíduo é único em sua constituição e necessidades e que suas formas de apresentações e respostas serão também diferentes, então cada consulta, cada abordagem, cada tratamento também não será padronizado igualmente para todos.  

Os desequilíbrios não se instalam de um dia para o outro em nossos corpos, e nem tampouco de um dia para o outro irão sair. 

Mas as pessoas seguem com muita pressa, com muito imediatismo.  

Se por um lado já não querem mais compostos químicos sem explicação, por outro ainda pedem por pílulas mágicas que façam desaparecer seus incômodos.  

Uff… e agora?

Eu sei que é difícil. Sei mesmo. É preciso mergulhar em suas sombras, olhar pra coisas que não queremos olhar, sair da zona de conforto, mexer naquilo que somos acostumados a vida inteira. Muita gente não quer. Muita gente não está disposta, talvez porque muitas vezes dói.  

E também porque é mais fácil tomar um comprimido e seguir reclamando de dor do que abandonar o fast food, o cigarro, a vida sedentária, o pessimismo, as mágoas de estimação.  

E as ervas?

Eu até falo sobre algumas ervas aqui no site, no blog tem um espaço só com posts sobre plantas. Mas realmente evito passar tratamentos para questões específicas porque além de irresponsável é ineficaz.  

O primeiro passo para quem deseja viver a ginecologia natural é olhar com esses novos olhos. As ervas são o segundo ou talvez nem sejam. 

Uma vez disposta uma mulher pode encontrar seu tratamento ideal na fitoterapia mas também na aromaterapia, na medicina ayurvédica, medicina chinesa, acupuntura, em círculos de mulheres, na prática de yoga e meditação, massagens e diversas outras terapias integrativas possíveis.  

O ideal sem dúvidas é que se procure um profissional gabaritado para acompanhar porque o processo é longo e profundo. Nesse ponto cabe ressaltar que é de suma importância que se tenha muita mas muita atenção mesmo em qual profissional escolher para tratar ou até mesmo estudar o tema, inclusive em se tratando de ginecologia natural, já que uma vez que não é uma profissão regulamentada é possível que qualquer pessoa que tenha ido a um único encontro se diga expert no assunto e saia por ai querendo curar os outros sem antes nem saber o que é ser curandeira de si.  

Eu sei que não são todas que tem acesso a esses recursos, então buscando atender aos tantos pedidos que recebo e também preocupada em evitar que caiam em ciladas equivocadas encontradas internet a fora eu estou buscando desenhar uma forma de falar sobre alguns tratamentos aqui no site de forma responsável.  

Já nos webinários que lançarei mês que vem eu oferecerei o conhecimento de alguns deles para quem participar, mas para que não se crie falsas expectativas deixo claro aqui que o livro “Ginecologia sem Hormônios” não é um livro de receitas naturais. Ele tem como objetivo debater o uso de hormônios artificiais na ginecologia, mostrar que é possível viver sem pílulas anticoncepcionais mesmo para quem tem SOP, endometriose, miomas. Romper com o paradigma vigente, libertar as mulheres de um comportamento aprisionado, mostrar essa nova visão!! 

Pra quem deseja trilhar o novo caminho esse é o início, o start. Depois virão os outros. Não adianta querer atropelar-se e começar do fim.  

Até porque o caminho pra dentro de si não tem fim, a cada porta que se abre outras surgem. Mas outra coisa que sempre repito é que o caminhar é belo e muito bom. 

Tem um trecho de uma música de uma banda lá de Caraíva que se chama Caraivana com que vou encerrar esse texto longo e tão importante:  

“Ser feliz não é um fim, nem onde chegar, é como você escolhe caminhar. Se hoje estamos juntos pela mesma estrada, agradeço a deus a caminhada.”

O imagem que ilustra esse post foi feito pela artista Catrin Welz-Stein

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