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Tratamentos super fortes, modernos e caros, cheinhos de efeitos colaterais

Tratamentos super fortes, modernos e caros, cheinhos de efeitos colaterais

No auge do desespero do corpo que sofre e da mentalidade médica que deseja resolver o sofrimento (ou apenas se livrar do problema) há quase sempre (mas nem sempre) os recursos drásticos muitas vezes vistos como heróicos: tratamentos super fortes, modernos e caros, cheinhos de […]

O que há por trás do excesso de pedidos de exames desnecessários na medicina que conhecemos?

O que há por trás do excesso de pedidos de exames desnecessários na medicina que conhecemos?

Uma indústria superpoderosa que lucra com isso. 💥💣Fato.   Essa indústria trabalha com a lavagem cerebral dos médicos desde a faculdade, e intensifica em seus consultórios. Não, nós não ganhamos dinheiro diretamente dos laboratórios a cada exame pedido, eles são muito mais inteligentes que isso. […]

Ânsia pelo Diagnóstico Médico

Ânsia pelo Diagnóstico Médico

Observando as pacientes sob a ótica da ginecologia natural digo que acredito que todo desequilíbrio físico tem um ou vários fatores emocionais envolvidos. Sim existem fatores causais bem determinados como vírus, bactérias, maus hábitos, genética. Em uma análise simplória: todos estão ligados à imunidade, que está ligada diretamente a fatores emocionais.

Em MUITOS casos o emocional é o principal fator. Em outros, o principal sintoma.

Quando dizemos que uma doença tem fundo emocional ou psicológico não estamos dizendo q ela não é real.

Não podemos desconsiderar a queixa. Se o indivíduo relata dor, existe dor ali. Ela é real e precisa ser tratada.

Negar isso por não aparecerem resultados que a justifiquem em exames é afirmar que as respostas estão nos exames, na tecnologia, e não no indivíduo, que é a causa, o meio e a solução em si mesmo. O restante são ferramentas para chegarmos até ele.

Ânsia pelo Diagnóstico

Medicinas milenares como a chinesa e o ayurveda estudavam e curavam pessoas em um tempo em que não era possível ver como estamos por dentro. A tecnologia para nosso grande avanço veio melhorar isso mas uma jamais deveria ter silenciado a outra.

A ânsia pelo diagnóstico revela a pretensão de que conhecemos  a explicação para tudo. De que a tecnologia atual já abrange toda complexidade do ser. De que todos os eventos que se passam em nós podem ser enquadrados em algo racional.

Questionar a veracidade do relato de sintomas que o indivíduo traz por não conseguirmos verificá-los é tirar ele do centro do processo de investigação e desempodera-lo da capacidade de conhecer a si mesmo, além de ser extremamente egóico.

Diminuir a importância e a relevância do problema se o identificamos como causado por uma ferida emocional é triste retrato da forma leviana como tratamos e lidamos com nossas emoções e as dos outros, contribuindo para uma sociedade de geniais homens frágeis, tão distantes de si.

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Ilustração Amma

Reflexões sobre a Medicina Alopática

Reflexões sobre a Medicina Alopática

Uma relação profunda e conectada do ser com o corpo que habita leva necessariamente à conclusão de que quando estamos diante de um adoecimento estamos diante de uma trama complexa de acontecimentos, causas, consequências, desdobramentos e novos eventos, nem sempre logicamente compreensíveis, nem sempre inter-relacionados […]

Absorventes de Pano

Absorventes de Pano

Transicionar dos absorventes descartáveis para o uso do coletor menstrual é realmente transformador e delicioso. É o primeiro passo rumo à ressignificação da menstruação na vida de muitas mulheres. Sim eu amo os coletores menstruais…. Mas, confesso que de uns tempos pra cá eu me […]


O Manifesto

Manifesto

Manifesto

O projeto Ginecologia Natural por Bel Saide nasceu de uma insatisfação, como toda revolução!

Desde que entrei na faculdade de medicina da Universidade Estadual do Rio de Janeiro em 1999 eu sentia um incômodo, uma sensação de inadaptação. Num ambiente universitário extremamente elitizado pré-cotas, sempre fui a diferente. Aquela que se veste diferente, que pensa diferente, a que frequenta outros lugares, a que queria mais liberdade, que queria mais de tudo. Cheguei a largar a faculdade no segundo ano pra morar no mato. Engravidei, voltei, mãe solo frequentei as salas de aula com barrigão e depois com um bebê. Pari de parto normal no Hospital Universitário com um médico residente. Esse processo juntamente com professores inspiradores me levou à escolher praticar a obstetrícia.

Nessa época não me interessava a ginecologia, era só parte do combo da especialidade. Adentrei os hospitais públicos, onde me fazia naturalmente cada vez mais heterogênea a maioria dos médicos. A que demora nas consultas, a que sabe da vida das pacientes para além de suas doenças e que falo da minha vida também, a que gosta de conversar com elas sobre outros assuntos, a que abraça, que se apega a elas. Sempre vi aquelas mulheres de uma forma mais integral, mais abrangente, intuitivamente sempre soube que suas relações com a vida tinham a ver com suas doenças.

Por 11 anos me dediquei exclusivamente ao SUS. Acompanhei milhares de partos. Por mim mesma busquei o caminho da humanização do parto. Um caminho solitário de rompimento com o que nos é ensinado tecnicamente em nossa formação. Fui querida e criticada por isso, mas era o início do meu encontro com minha vocação.

Amava trabalhar exclusivamente com mulheres e sua complexidade encantadora, mas a sensação de estranheza ia e vinha como uma espiral. Por diversas vezes pensei que não queria ser médica. Mas, não sabia o que queria no lugar. Não sei ao certo qual intuição, acaso ou destino me levou a procurar amigas naturólogas. Com elas comecei a conversar sobre ciclos femininos, tratamentos naturais, e um olhar holístico e sensível sobre o adoecimento e a saúde. É quando você encontra um lugar e relaxa confortável….

No início de 2016 conheci a Ginecologia Natural, movimento vindo da América Latina que resgata conhecimentos tradicionais das mulheres em seus cuidados íntimos, que vê com amorosidade as questões femininas e suas nuances, que convida ao profundo autoconhecimento e conexão com seus corpos, que leva à autonomia, transformação e libertação. Ao mesmo tempo que é individual, é coletivo, estimula o contato, o carinho, a troca, o apoio mútuo entre as mulheres. Nos leva à natureza, ao natural, à essência de ser mulher. É novo e é antigo, é complexo e maravilhosamente simples!

Fiz parte da primeira turma de formação em Facilitadoras em Ginecologia Natural, curso ministrado em dois módulos de quatro dias de imersão em São Paulo pela incrível professora argentina Liliana Pogliani e a inadaptação chegou ao fim….

Me encontrei, como é lindo, como é bom! Mas, todo fim de um caminho é o começo de outro. Sai com a certeza de que tenho uma missão, de que preciso levar essa nova visão às mulheres. As mulheres que tanto precisam e pedem por uma medicina mais humana, por médicos que as ouçam verdadeiramente, que respeitem suas peculiaridades, que as empoderem ao invés de lhes levar à dependências e inseguranças diversas. Optei pela internet para ter um alcance muito maior do que as paredes de meu consultório. Mas esse novo caminho, embora iluminado, certamente será difícil. Porque vamos contra uma indústria muito poderosa, conceitos arcaicos que muitos jamais abandonarão, colegas de profissão que por não compreenderem ou não concordarem talvez tentem reprimir ou ridicularizar, sociedade patriarcal e machista que não tolera o feminismo e seus desdobramentos.

É um longo caminho e esse é só o primeiro passo. Vou com coragem e alegria! Primeiro porque não há como eu voltar atrás no que me tornei. Segundo porque sei que ao meu lado estarão muitas mulheres nessa busca VERDADEIRA.

Muito obrigada pelo tanto que me ensinam. Estamos juntas!