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Será que a Síndrome dos Ovários Policísticos é tão comum assim?

Será que a Síndrome dos Ovários Policísticos é tão comum assim?

Ainda não encontrei dentro da ginecologia uma patologia tão comumente mal diagnosticada quanto a Síndrome dos Ovários Policísticos. Normalmente começa errado pra terminar pior ainda. A maioria começa com um pedido de ultrassonografia desnecessário. Vou repetir mais uma vez: ultrassonografia transvaginal NÃO é exame de […]

Plantas – Artemísia, a Erva da Mulher!

Plantas – Artemísia, a Erva da Mulher!

A Artemísia é uma erva muito conhecida desde tempos super antigos por suas propriedades medicinais. Existem registros que sugerem sua utilização até mesmo pelos egípcios e sabe-se que Hipócrates, o pai da medicina, a prescrevia para tratar anemia, cólicas menstruais, reumatismo e dores de estômago. […]

Já escutou que tá rolando uma epidemia de Sífilis no Brasil?

Já escutou que tá rolando uma epidemia de Sífilis no Brasil?

Sim, é verdade!

Então, bora falar um pouquinho sobre essa doença que é mais comum do que se imagina.

A teoria mais aceita sobre a origem da Sífilis é que ela foi levada pra Europa com Cristóvão Colombo e sua galera após conhecerem o novo mundo com suas navegações e aprontarem muitas festinhas animadas (e certamente muitos estupros) por aqui, nas Américas.

Fato é que, como toda boa doença transmitida pelo sexo – e naquele tempo não existia camisinha – rapidamente se espalhou, levando a uma terrível epidemia que acometeu e matou muita gente no final do século XV e início do XVI.

A sintomatologia descrita nessa época parecia bem mais sinistra e surpreendentemente a doença evoluiu para uma forma menos virulenta, embora ainda muito grave.

O estrago causado pela Sífilis só foi reduzido já no século XX após Alexander Fleming descobrir a Penicilina, fato que mudou o curso da história da humanidade. A Penicilina é até hoje o tratamento de escolha para a Sífilis.

Também conhecida como Lues ou Cancro duro, teve uma redução drástica no número de casos chegando quase a parecer coisa do passado na década de 90, porém no início do século XXI voltou com força.

Mas, por quê?

Humm…. como se pega Sífilis mesmo??? TRANSANDO SEM CAMISINHA!

Ah tá, entendi tudo já.

A outra forma de contágio é a transmissão vertical, a transmissão de mãe para filho durante a gestação, que pode ser evitada com o acompanhamento adequado do pré natal. O exame da Sífilis, chamado de VDRL, é exame de rotina no primeiro e terceiro trimestres de gravidez e caso positivo a gestante pode e deve fazer o tratamento necessário.

A Sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e tem três estágios:

  • A Sífilis primária tem como sintoma o aparecimento de uma úlcera chamada Cancro, na maioria das vezes indolor, limpa, única e que não coça. Essa úlcera surge na região genital entre 3 a 90 dias após a contaminação (média 21 dias). As características podem variar um pouco, e nas mulheres a lesão pode estar no colo do útero, às vezes não sendo percebida. Sem tratamento desaparece espontaneamente em 3 a 6 semanas.

 

  • A Sífilis secundária irá aparecer entre 1 e 6 meses após e é marcada pela presença de uma erupção cutânea – que diabos é isso, Bel? São manchas na pele. No caso da Sífilis manchas vermelhas planas no tronco e membros além de palmas das mãos e solas dos pés. Também podem surgir manchas ou placas nas mucosas genitais e orais. A doença é muito contagiosa nessa fase. Além das manchas, os sintomas são mal estar, dor de cabeça, febre, falta de apetite, coceira, aumento de linfonodos, entre diversos outros menos comuns. Devido a esses sintomas que podem ser confundidos com várias outras doenças, também acontece muito da Sífilis passar despercebida mesmo nesse estágio. 

 

  • A Sífilis terciária vai acontecer após 1 a 10 anos (ou até mais). É a fase mais grave com sequelas muitas vezes irreversíveis. Se caracteriza pela formação das gomas sifilíticas que são tumorações na pele e nas mucosas e que podem acometer também qualquer parte do corpo inclusive os ossos. As manifestações mais graves são a Neurosífilis e a Sífilis cardiovascular. A Neurosífilis leva à uma série de complicações neurológicas, incluindo paralisia geral progressiva, mudança de personalidade, distúrbios psiquiátricos e demência. A sífilis cardiovascular leva a diversos problemas no coração e nas artérias, sendo a principal causa de morte.

 

Existe ainda a Sífilis latente, em que o indivíduo infectado pode transmitir a doença, embora não apresente sintomas (é pra ter medo? Sim!).

A Sífilis congênita é gravíssima sendo causa importante de abortamentos e óbitos fetais além de diversas más formações.

Estudos revelam que a taxa do uso de preservativos nas relações sexuais DIMINUIU nas últimas décadas.

Mas gente….. como assim??!  Não era pra gente já ter aprendido o dever de casa e a camisinha ter virado algo natural e obrigatório na nossa vida sexual??!

Tsc Tsc…. seguimos fazendo feio. O motivo principal disso, segundo os estudos é – pasmem – a diminuição do medo da AIDS. Com o avanço do tratamento com antirretrovirais que permitem que portadores de HIV vivam mais e melhor, essa doença passou a não ser tão assustadora assim.

Por exemplo, a maioria dos jovens de hoje nunca viram um amigo próximo morrer de AIDS, fato comum nos anos 80-90 que aterrorizou a galera. Gente, faz favor né?! Isso não faz muito sentido, olha aí no que dá…..

Tá, mas e como tratar Sífilis?

Desconheço tratamento natural eficaz para Sífilis, e devido a gravidade e a evolução da doença nem recomendo tentar. Diante de um diagnóstico positivo não tem pra onde correr: o tratamento é duas doses de Penicilina Benzatina – o famoso Benzetacil, aquele mesmo que dói pra cacete – um em cada banda da bunda.

Gestantes precisam tomar 3 doses com intervalo de uma semana, totalizando 6 injeções, para prevenir a transmissão para o feto. Para alérgicos à Penicilina, existem antibióticos alternativos.

É fundamental e absolutamente indispensável que o parceiro ou parceira ou parceiressss façam o tratamento também, se não você vai se furar toda a toa, se transar de novo com a pessoa não tratada vai se contaminar de novo. Então exija isso, ou até nunca mais!

Sífilis pode ser transmitida através do sexo oral também, ou seja, o bagulho é doido.

“Caraca Bel, paniquei agora!! É melhor geral correr pra fazer o exame e ver se tem Sífilis??”

Não, miga, calma! Observe se você está ou esteve recentemente com algum desses sintomas e apenas em afirmativo procure um médico para avaliar a necessidade do exame.

Alou!!! Atenção!! Não se previne Sífilis ou qualquer outra DST fazendo exame de 6 em 6 meses ou sei lá com que frequência!!!

Se previne praticando sexo seguro!! Usando camisinha!!!

Vamos parar de deixar nosso bem mais precioso, o único que torna possível realizarmos tudo o que quisermos, que é a nossa saúde, à mercê da pura sorte ou da confiança no outro.

Vamos parar com esse papinho de que transar com camisinha é ruim, é chupar bala com papel – paaara né, conversa fiada, ultrapassada, papo doido, eu ein!

Transar com camisinha é ótimo, é PURA diversão, respeito, cuidado, amor próprio, leveza, PURA VIDA e vida boa e LONGA!!

Ginecologia Natural é amor, isso é algo que nunca vou parar de repetir.

Espero que com a INFORMAÇÃO eu possa ajudar a diminuir a disseminação dessa doença em nosso país. Quem puder, me ajude também!

Beijos da Bel

 

Mais dados sobre a epidemia de Sífilis:

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/casos-de-sifilis-aumentam-e-brasil-tem-epidemia-da-doenca-37krhtmd14prv8oel41qwfrma

 

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O Manifesto

Manifesto

Manifesto

O projeto Ginecologia Natural por Bel Saide nasceu de uma insatisfação, como toda revolução!

Desde que entrei na faculdade de medicina da Universidade Estadual do Rio de Janeiro em 1999 eu sentia um incômodo, uma sensação de inadaptação. Num ambiente universitário extremamente elitizado pré-cotas, sempre fui a diferente. Aquela que se veste diferente, que pensa diferente, a que frequenta outros lugares, a que queria mais liberdade, que queria mais de tudo. Cheguei a largar a faculdade no segundo ano pra morar no mato. Engravidei, voltei, mãe solo frequentei as salas de aula com barrigão e depois com um bebê. Pari de parto normal no Hospital Universitário com um médico residente. Esse processo juntamente com professores inspiradores me levou à escolher praticar a obstetrícia.

Nessa época não me interessava a ginecologia, era só parte do combo da especialidade. Adentrei os hospitais públicos, onde me fazia naturalmente cada vez mais heterogênea a maioria dos médicos. A que demora nas consultas, a que sabe da vida das pacientes para além de suas doenças e que falo da minha vida também, a que gosta de conversar com elas sobre outros assuntos, a que abraça, que se apega a elas. Sempre vi aquelas mulheres de uma forma mais integral, mais abrangente, intuitivamente sempre soube que suas relações com a vida tinham a ver com suas doenças.

Por 11 anos me dediquei exclusivamente ao SUS. Acompanhei milhares de partos. Por mim mesma busquei o caminho da humanização do parto. Um caminho solitário de rompimento com o que nos é ensinado tecnicamente em nossa formação. Fui querida e criticada por isso, mas era o início do meu encontro com minha vocação.

Amava trabalhar exclusivamente com mulheres e sua complexidade encantadora, mas a sensação de estranheza ia e vinha como uma espiral. Por diversas vezes pensei que não queria ser médica. Mas, não sabia o que queria no lugar. Não sei ao certo qual intuição, acaso ou destino me levou a procurar amigas naturólogas. Com elas comecei a conversar sobre ciclos femininos, tratamentos naturais, e um olhar holístico e sensível sobre o adoecimento e a saúde. É quando você encontra um lugar e relaxa confortável….

No início de 2016 conheci a Ginecologia Natural, movimento vindo da América Latina que resgata conhecimentos tradicionais das mulheres em seus cuidados íntimos, que vê com amorosidade as questões femininas e suas nuances, que convida ao profundo autoconhecimento e conexão com seus corpos, que leva à autonomia, transformação e libertação. Ao mesmo tempo que é individual, é coletivo, estimula o contato, o carinho, a troca, o apoio mútuo entre as mulheres. Nos leva à natureza, ao natural, à essência de ser mulher. É novo e é antigo, é complexo e maravilhosamente simples!

Fiz parte da primeira turma de formação em Facilitadoras em Ginecologia Natural, curso ministrado em dois módulos de quatro dias de imersão em São Paulo pela incrível professora argentina Liliana Pogliani e a inadaptação chegou ao fim….

Me encontrei, como é lindo, como é bom! Mas, todo fim de um caminho é o começo de outro. Sai com a certeza de que tenho uma missão, de que preciso levar essa nova visão às mulheres. As mulheres que tanto precisam e pedem por uma medicina mais humana, por médicos que as ouçam verdadeiramente, que respeitem suas peculiaridades, que as empoderem ao invés de lhes levar à dependências e inseguranças diversas. Optei pela internet para ter um alcance muito maior do que as paredes de meu consultório. Mas esse novo caminho, embora iluminado, certamente será difícil. Porque vamos contra uma indústria muito poderosa, conceitos arcaicos que muitos jamais abandonarão, colegas de profissão que por não compreenderem ou não concordarem talvez tentem reprimir ou ridicularizar, sociedade patriarcal e machista que não tolera o feminismo e seus desdobramentos.

É um longo caminho e esse é só o primeiro passo. Vou com coragem e alegria! Primeiro porque não há como eu voltar atrás no que me tornei. Segundo porque sei que ao meu lado estarão muitas mulheres nessa busca VERDADEIRA.

Muito obrigada pelo tanto que me ensinam. Estamos juntas!